Fonte Talavera

 A fonte Talavera foi construída para sinalizar o marco zero da capital gaúcha, Porto Alegre, na praça Montevidéu, bem defronte à prefeitura municipal (veja imagens 1, 2). Foi recebida como presente das colônias espanholas aos gaúchos, em 1935, em homenagem ao centenário da Revolução Farroupilha.

A idéia de fazer uma homenagem, com um chafariz, do povo espanhol para Porto Alegre partiu do professor Fernando Corona, em 1935. A pretensão era ornamentar a cidade com algo que traduzisse o espírito clássico da Espanha cervantina e que falasse da renascença e do século de ouro daquele país. Numa conversa entre Corona e o comerciante Isidro Vila, que também era representante de produtos da vila de ceramistas Talavera de la Reina, situada em Nova Castela, província de Toledo, surgiu a idéia de que esta homenagem fosse uma fonte, que seria executada pelo mais afamado artista talaverano, Juan Ruiz de Luna. Foi organizada uma comissão central para angariar fundos com os espanhóis aqui residentes.

Para trazer o material da Espanha, o embaixador ibérico no Brasil, D. Vicente Salles, conseguiu transporte gratuito. O então presidente Getúlio Vargas concedeu isenção de impostos de importação, enquanto que o governador do Rio Grande do Sul, Flores da Cunha, facilitou o transporte das peças pelo interior do Estado.

O local de construção, concedido pelo prefeito Alberto Bins, não poderia ser outro que não a praça Montevidéu, considerada a "sala de visitas" da cidade. Para tanto, a estátua de bronze da Samaritana, que ficava em frente à prefeitura, foi transferida para a praça Senador Florêncio (ou popular "praça da Alfândega").

O próprio professor Corona dirigiu a armação da fonte; fiscalizou a colocação dos azulejos do tanque, posicionamento dos quatro golfinhos que servem de suporte para a bacia, até a simetria da última peça do polígono de doze lados.

A fonte foi inaugurada festivamente em 24/10/1935, constituindo, desde então, um dos mais importantes símbolos das raízes espanholas no Estado.

Nesses 65 anos de existência, a fonte também foi "testemunha" de grandes fatos que marcaram o centro da cidade. O chafariz já serviu desde palco para comícios eleitorais, até piscina para indigentes. 

Agora, às vésperas de entrar no terceiro milênio, o símbolo da amizade entre brasileiros e espanhóis renasce, também, como um dos mais importantes patrimônios históricos da cidade e do Estado.

Adaptado por Luis Roque Klering, de texto publicado na revista "Viva no Sul", ano 3, nro 24, de outubro de 2000, publicado pela Porto Alegre Turismo, fone 0xx51-3436871.