IMAGENS DE  18 e 19/08//2007 

Fronteiras do sul do Brasil

Roteiro pelas cidades de Chuí e Chuy, e Santa Vitória do Palmar (incluindo a travessia do Banhado do Taim)

Chuí e Chuy

Situado no extremo sul do Brasil, o município de Chuí é conhecido e exaltado pelo povo brasileiro por ser, junto com Oiapoque, um dos dois pontos mais extremos do país. O município era distrito de Santa Vitória do Palmar, tendo obtido sua emancipação em 1995, e tendo iniciado sua administração em 01/01/1997.

Na sede, apenas uma rua separa o Chuí brasileiro do Chuy uruguaio. Do lado de cá, a avenida é chamada de Uruguai; do lado de lá, de Brasil. Há 10 anos, a atual avenida calçada era uma poeirenta e desorganizada rua comercial. Agora, ali existe um ativo Free Shop, com várias e boas lojas do lado de lá (uruguaio), onde atuam empregados tanto uruguaios, quanto brasileiros. Uma atendente que nos atendeu é estudante da Faculdade de Biologia da UFPEL, a 250 kms dali, que estuda durante a semana em Pelotas, e trabalha no Free Shop no fim-de-semana. Segundo ela, “porque ali não existe opção de Universidade”. Todavia, o comércio varia como uma “gangorra”, ao sabor da variação do câmbio. Agora, com a cotação do dólar ao redor de R$ 2,00, as lojas do lado de cá estão em grandes dificuldades, que se reflete em apatia, e mesmo fechamento de várias, por falta de condições de concorrência com o lado de lá. Há alguns anos, quando o dólar chegou a encostar em R$ 4,00, o comércio de cá estava fervilhante, e do lado de lá parado.

Chuí possui uma população aproximada de 6 mil habitantes, e um PIB aproximado de US$ 25 milhões.

A 10 kms da cidade, encontra-se a praia de mesmo nome, mais conhecido por “Barra do Chuí” e pelo seu farol, construído em 1930. Os molhes da barra dividem o Brasil do Uruguai. Na praia, quase não há distinção de idioma: os anúncios são feitos tanto em português, quanto em espanhol. Também há dificuldade em distinguir se os transeuntes são brasileiros ou uruguaios, tão misturadas estão a vida e os interesses das respectivas populações. Ali também existe uma ponte internacional sobre o arroio Chuí, que logo adiante forma a barra. 

  Veja algumas imagens ilustrativas da cidade de Chuí (e Chuy):   12345

  E, também, da Barra do Chuí:   12345678910111213

Santa Vitória do Palmar

Situa-se a 20 km da fronteira com o Uruguai, no final da Lagoa Mirim. No extremo norte do seu território, abriga a Estação Ecológica do Taim. Também é conhecida pelo nome de “Terra das águas”, por estar costeada pelas águas do Oceano Atlântico, dos banhados do Taim, da Lagoa Mirim, da Mangueira e de várias outras. Constitui um município de área extensa: mais de 5,2 mil km2. Concentra uma flora e fauna exuberantes. O nome do município origina-se da árvore palmeira de butiá, cujas folhas são usadas no artesanato, e de cujos frutos são feitas bebidas, bem como doces e geléias. Foi fundado em 1872, a partir de desmembramento do município de Rio Grande.

O município possui cerca de 34 mil habitantes, e um PIB aproximado de US$ 64 milhões. A economia está fortemente baseada na produção de arroz irrigado.

Estação Ecológica do Taim (“Banhado do Taim”)

Compreende partes dos municípios de Santa Vitória do Palmar e de Rio Grande, entre a Lagoa Mirim e o Oceano Atlântico. Possui uma área de 32 mil hectares. Foi criado em 21/07/1986, por constituir área de passagem de várias espécies de animais migratórios vindos da Patagônia. A área é importante para o descanso, nidificação e crescimento inicial de espécies migratórias. As árvores dominantes na área são a figueira nativa e a corticeira, das quais pendem barbas-de-velho.  No banhado propriamente, domina o junco, assim como aguapés, ervas e gramíneas diversas, servindo de refúgio para diversas espécies de aves e mamíferos.

Dentre os animais presentes, destacam-se o jacaré-de-papo-amarelo, o cisne-de-pescoço-preto (único cisne verdadeiro do continente sul-americano e um dos mais bonitos do mundo, constituindo o símbolo do Taim), o marrecão, socós, tachã, garça-branca-grande, ratão-do-banhado, capivara, cervo-do-pantanal, tuco-tuco, outros.

Por constituir um dos últimos remanescentes desse tipo de ecossistemas, a Estação Ecológica do Taim tem valor especial para estudos ecológicos.

  Veja algumas imagens ilustrativas da cidade:   12345678

  E, também, do "Banhado do Taim":   123456

IMAGENS DE  04 e 05/08//2007 

Fronteiras do sul do Brasil

Roteiro pelas Jaguarão e Rio Branco, Arroio Grande, Herval, Pedras Altas e Pinheiro Machado

 Jaguarão

A cidade situa-se no extremo sul do Brasil, na fronteira com o Uruguai. A ligação com a cidade uruguaia de Rio Branco, do outro lado da fronteira, é realizada pela ponte internacional Mauá, que foi inaugurada em 1930.

O município possui atualmente cerca de 31,2 mil habitantes, e um PIB de aproximados US$ 74,4 milhões (com uma economia essencialmente voltada à pecuária, bastante estagnada).

Teve origem em 1802, quando ali, às margens do rio de mesmo nome, foi instalado um acampamento militar, em meio a disputas de limites fronteiriços entre Espanha e Portugal.

Foi elevada à categoria de cidade em 23/11/1855.

Possui um esplendoroso acervo arquitetônico de construções de vários estilos, que datam do período áureo da sua economia, entre 1850 e 1950. Entre as construções, destaca-se o atual Museu Carlos Barbosa, que foi construído em 1886, em estilo neoclássico, com 656m2, pelo médico (graduação em 1875 no RJ, e com especialização na França) e político de orientação republicana, Dr. Carlos Barbosa Gonçalves, que chegou a ser presidente da Constituinte Republicana do RS (de 1891 a 1893), vice-presidente da Província (1893 a 1897) e presidente da Província do RS (1908 a 1913). Em 1920, Carlos Barbosa voltou à política como senador da república. Durante seu governo, promoveu a construção da Faculdade de Medicina, do monumento a Júlio de Castilhos na praça da matriz de Porto Alegre, assim como o Palácio Piratini.

Do outro lado da fronteira, a cidade de Rio Branco destaca-se por possuir um pequeno e recente Free Shop, com cerca de 8 lojas. Do lado brasileiro, os turistas podem comprar até a cota de US$ 300,00. De fato, as mercadorias têm preços bem em conta, e os investimentos e empregos são de uruguaios e também de brasileiros. Constituem o motivo principal para a visita de brasileiros à cidade de Jaguarão, ocupando ali os poucos hotéis e restaurantes. Todavia, a isenção de impostos nas mercadorias do lado de lá acaba também fortemente inibindo o comércio do lado de cá da fronteira. Do restaurante Oásis, localizado no Free Shop, obtém-se uma magnífica vista do arroio Jaguarão, bem como da própria cidade de mesmo nome, espraiada sobre uma elevação que ombreia o rio.

  Veja algumas imagens ilustrativas da cidade:   12,  34,  56,  78,  910

  E, também, do Museu Carlos Barbosa:   12,  34,  56,  78,  910,  1112,  1314,  1516,  1718,  1920,  2122,  2324,  2526,  2728,  2930,  3132,  3334,  3536,  3738,  3940,  4142,  4344,  4546,  4748,  4950,  5152,  5354,  5556,  5758,  5960,  61

 Arroio Grande

Situa-se junto à BR-116 que leva à cidade fronteiriça de Jaguarão. Ostenta o título de cidade natal de Irineu Evangelista de Souza, o “Barão de Mauá”, também conhecido como “pai da indústria brasileira”, tendo contribuído fortemente para o desenvolvimento da área dos transportes do Brasil.

O município possui cerca de 20 mil habitantes, e um PIB aproximado de US$ 98,8 milhões. O setor primário é a sua atividade econômica básica, com destaque para o cultivo do arroz irrigado. Tem destacada origem portuguesa e africana, que se revela nas festas de carnaval e em homenagem à Nossa Senhora dos Navegantes, e Iemanjá.

  Veja algumas imagens ilustrativas:   12,  34,  56

 Herval

O nome do município, fundado em 20/05/1880, deve-se à quantidade de ervais existentes em sua área. Fica no caminho de Arroio Grande a Pedras Altas. Pelo Tratado de Santo Ildefonso, celebrado entre Portugal e Espanha em 1777 (oficialmente conhecido como“Tratado Preliminar de Restituições Recíprocas”), esta área deveria ficar sob domínio espanhol. Todavia, Rafael Pinto Bandeira, que ficara encarregado de guarnecer a fronteira estipulada pelos demarcadores, insistiu em fazer avançar até o rio Jaguarão o domínio lusitano. Com esse objetivo, em meados de 1791, na margem direita do Arroio do Herval, inicia a construção de uma Igreja, um quartel e um quadro de trincheiras, dando origem ao povoamento do atual município.

 Herval possui cerca de 7,3 mil habitantes, e um PIB aproximado de US$ 11,2 milhões (sendo, por isso, município bastante pobre, e em declínio econômico), mas com uma área bastante vasta, de 1,7 mil km2. Por situar-se sobre o paralelo 32, empresas de celulose estão adquirindo terras para a plantação de eucaliptos, que teria inclusive elevado o preço das mesmas do patamar de R$ 1 mil por hectare, para R$ 3 mil por hectare. O município ostenta um título brasileiro peculiar: de capital da semente de cebola. O feito se deve aos esforços do seu ex-vigário Pe. Libório Poersch, que ali exerceu o ministério de 1944 a 1990, exercendo ao mesmo tempo intensa dedicação à agricultura, pecuária e apicultura. Em 1948, instalou a 1a. lavoura de sementes de cebola, em que permaneceu pioneiro no Estado até 1965. Em 1981, ampliou suas instalações na “Granja Libório”, com tecnologia e marketing próprios. Chegou a ter uma fazenda com mais de mil reses, em mais de 1,2 mil hectares de campo. 

  Veja algumas imagens ilustrativas:   12,  34,  56,  7

 Pedras Altas:

O município herdou o nome das pedras existentes numa coxilha a uns três km da atual sede. Constitui um município bem recente, emancipado de Herval e Pinheiro Machado em 1996, tendo sido instalado, sob permissão especial, somente a partir de 01/01/2001. Possui cerca de 3 mil habitantes e um PIB aproximado de US$ 16,8 milhões.

Possui uma atração turística especial: o Castelo da Granja de Pedras Altas, construído por Joaquim Francisco Assis Brasil, no início do século XX. Assis Brasil nascera em São Gabriel em 1858, e formou-se em Direito em São Paulo em 1882. Nesse período, foi propagandista da República, tendo-se envolvido fortemente com a política brasileira até sua morte em 1933. Construiu a granja para que ela fosse visitada. A idéia era constituir uma empresa rural, com diversificação de atividades, transformação dos produtos primários em derivados, e de trabalho no campo realizado com cultura, tecnologia e conforto. Dizia que em certas ocasiões “vale mais um dia de ver do que um ano de ler”.

A pedra angular da fortaleza, de 44 cômodos, foi lançada em maio de 1909. Depois de ter atuado nas embaixadas de Washington e Portugal e discursado em parlamentos, Assis Brasil queria morar no campo. Também desejava oferecer conforto à segunda mulher, Lídia Pereira Felício de São Mamede, filha de conde de São Mamede, que haviam se casado em Lisboa, em 1898.

Pedras Altas impulsionou a atrasada pecuária gaúcha. Assis Brasil importou vacas jersey da Inglaterra, robustos touros devon, cavalos árabes e ovelhas karakul e ideal. Só criava animais de raça, como galinhas white wyandotte trazidas dos Estados Unidos. Ele também introduziu novas espécies de árvores, como o eucalipto, construiu estrebarias, galpões e porteiras que ainda funcionam. Ainda inventou utensílios, como a bomba de chimarrão de mil furos que jamais entope e leva o seu nome.

Assis Brasil ergueu a fortaleza com traços medievais numa das paisagens mais isoladas do Rio Grande do Sul para mostrar que era possível desfrutar a natureza sem ficar embrutecido. A idéia não era ostentar, mas enobrecer o campo. O diplomata, que privou com reis e chefes de Estado, achava que o arado e o livro eram as ferramentas do progresso. Em 1999, o governo tentou tombar o castelo de Pedras Altas como monumento histórico, mas a família de Assis Brasil recusou, preferindo manter o castelo com a família.

O Tratado de Paz de Pedras Altas representou um armistício entre as forças que apoiavam Borges de Medeiros e suas sucessivas reeleições, e aquelas que haviam se insurgido contra isso, sob o comando de Joaquim Francisco de Assis Brasil. Foi assinado em 14/12/1923. O acordo previa o fim daquilo que os rebeldes chamavam de “ditadura republicana”, que permitia a reeleição sucessiva de Borges de Medeiros, que acabou sendo sucedido por Getúlio Vargas.

O Parque Internacional de Exposições de Esteio leva o nome de Assis Brasil em homenagem a esse pioneiro de visão do RS. 

Fonte: http://assisbrasil.org/castelo.html

  Veja algumas imagens ilustrativas:   12,  34,  56,  78,  910,  1112,  1314,  1516,  17

 Pinheiro Machado:

Constitui um dos municípios mais antigos do RS, cujo povoamento foi iniciado pelo brigadeiro Rafael Pinto Bandeira, por volta de 1765. Foi desmembrado do município de Piratini em 1879, tendo recebido inicialmente o nome de Nossa Senhora da Luz das Cacimbinhas. Teve seu nome mudado para Pinheiro Machado quando o senador de mesmo nome foi assassinado no RJ por morador desta localidade. Inicialmente, a mudança de nome não foi aceita, obrigando o intendente a deixar a cidade.

O município possui uma população pouco superior a 13 mil habitantes, e um PIB aproximado de US$ 49,1 milhões (em declínio). A economia está assentada na bovinocultura, ovinocultura, apicultura, artesanato em lã, produção de sementes, produção de cimento e, bem recentemente, vitivinulcultura. 

Veja algumas imagens ilustrativas:   12,  34

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