Estimativa dos Produtos Internos Brutos dos Municípios do Brasil para os anos de 2001 e 2002

 

CNM – Confederação dos Municípios do Brasil[1]

 

RESUMO

O estudo estima os valores dos Produtos Internos Brutos (PIBs) dos 5.561 municípios do Brasil existentes em 2001 e 2002, a partir do rateio dos Produtos Internos Estaduais para os respectivos municípios, de acordo com suas participações no Valor Adicionado Fiscal (VAF).

 Os valores dos PIBs dos Estados relativos aos anos de 2001 e 2002 foram estimados pelo IBGE, levando em consideração a produção nos setores da agricultura, indústria e serviços. Os valores dos VAFs foram obtidos a partir de publicações das Secretarias de Fazenda dos Estados.

A obtenção de estimativas de PIBs para os municípios do Brasil, segundo metodologia simplificada e procedimentos bastante simples, rápidos e uniformes, é muito útil para a administração do país, porque contribui sobremaneira na definição de estratégias, políticas e mesmo de ações para a correção de desequilíbrios, realização de projetos e investimentos, tanto pelos governos dos diversos níveis, quanto também por empresas e instituições do terceiro setor. Esse estudo será ampliado e melhorado ano a ano, incorporando anos anteriores, completando anos atuais, e incorporando novos anos futuros, de forma semelhante ao que já vem sendo feito por estudo semelhante focando o Estado do RS numa série de 20 anos.


 

INTRODUÇÃO

 

Este texto descreve a forma de cálculo dos Produtos Internos Brutos (PIBs) dos municípios do Brasil, para os anos de 2001 e 2002, obtidos a partir das estimativas dos PIBs dos Estados, publicados pelo IBGE (2004). Os PIBs dos 5561 municípios brasileiros existentes nesses anos são apresentados em anexo.

Os valores estimados representam, no momento, segundo esta metodologia, as melhores aproximações possíveis dos PIBs municipais, devido a deficiências e lacunas existentes nos dados primários obtidos com esforço via diferentes meios, das Secretarias Estaduais de Fazenda, responsáveis legais pela construção dos VAFs dos municípios, usados como base de cálculo para os PIBs.

 

2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Nesta seção é apresentada uma síntese dos procedimentos metodológicos utilizados para a estimação dos produtos internos brutos a custo de fatores dos municípios brasileiros. De uma forma bastante resumida, pode-se afirmar que os recortes

Os valores dos Produtos Internos Brutos (PIBs) dos 5.561 municípios do Brasil existentes em 2001 e 2002 são obtidos a partir de simples rateio dos Produtos Internos Estaduais para os respectivos municípios, de acordo com suas participações no Valor Adicionado Fiscal (VAF).

 Os valores dos PIBs dos Estados relativos aos anos de 2001 e 2002 foram estimados pelo IBGE, levando em consideração a produção nos setores da agricultura, indústria e serviços.

Os valores dos VAFs foram obtidos a partir de publicações das Secretarias de Fazenda dos Estados em diferentes meios, como Diários Oficiais, sites de internet e outros.

Assim, parte-se do pressuposto de que os valores dos PIBs estaduais sejam corretos, calculados segundo metodologia comum;  e que os VAFs municipais dos diferentes Estados do país também sejam bastante coerentes e consistentes, obtidos a partir de legislação federal comum, e abrangendo de forma bastante completa e correta os valores de produção dos municípios, nos setores da agricultura, indústria e serviços.

De fato, o pressuposto de que o VAF seja bastante completo e consistente parece ser verdadeiro, uma vez que serve de base para o cálculo do Retorno do ICMS (Imposto de Circulação e Mercadorias e Serviços) dos municípios, transferido dos Estados. Por isso, por sua importância nas receitas dos municípios, tende a ser um número anual bastante analisado e discutido pelos mesmos. E, conseqüentemente, tende a refletir, também, com bastante fidelidade o valor da produção formal realizada nos municípios, e a realidade econômica geral de um município. Os valores dos VAFs são formais, e (deveriam ser facilmente) acessíveis ao público em geral. Por isso, quando possível, a opção pela sua utilização é bastante conveniente, como no caso da estimação dos PIBs municipais de forma simplificada, em que os mesmos são obtidos por alavancagem pelos respectivos VAFS dos municípios.

Outras metodologias de cálculo de PIBs municipais são mais robustas do ponto de vista teórico, mas apresentam grandes restrições do ponto de vista prático, porque o poder público (de qualquer nível de governo) não tem condições humanas e materiais para realizar anualmente um censo detalhado e preciso da produção física e financeira dos municípios, principalmente de alguns itens onde o acesso é dificultado ou mais complexo (como os relativos a lucros financeiros, aluguéis e outros).  Por isso, esta metodologia usada pelo presente estudo, baseada no uso do Valor Adicionado Fiscal dos municípios, é bastante adequada, conveniente e útil, do ponto de vista prático e científico, observadas suas limitações.

Para estimar o valor produzido pelos 5.561 municípios do Brasil, o estudo utiliza como base (ou alavanca) o valor da produção estimada pelo IBGE para os diversos Estados. A tabela 1, a seguir, apresenta os PIBs dos Estados do Brasil, em R$ nos anos de 2000, 2001 e 2002, conforme estimativas feitas pelo IBGE.

 

Tabela 1 - PIBs dos Estados, relativos aos anos de 2000, 2001 e 2002.

 

Nome do Estado

 PIB, em milhões de R$, nos anos de 

2000

2001

2002

 1-Acre

1.703

1.921

2.249

 2-Alagoas

7.023

7.569

8.767

 3-Amapá

1.968

2.253

2.702

 4-Amazonas

18.873

20.736

25.030

 5-Bahia

48.197

52.249

62.103

 6-Ceará

20.800

21.581

24.204

 7-Distrito Federal

29.587

33.051

35.672

 8-Espírito Santo

21.530

22.538

24.723

 9-Goiás

21.665

25.048

31.299

10-Maranhão

9.207

10.293

11.420

11-Mato Grosso

13.428

14.453

17.888

12-Mato Grosso do Sul

11.861

13.736

15.343

13-Minas Gerais

106.169

113.530

125.389

14-Pará

18.914

21.748

25.530

15-Paraíba

9.238

10.272

11.634

16-Paraná

65.969

72.770

81.449

17-Pernambuco

29.127

31.725

36.510

18-Piauí

5.330

5.575

6.166

19-Rio de Janeiro

137.877

148.033

170.114

20-Rio Grande do Norte

9.293

9.834

11.633

21-Rio Grande do Sul

85.138

94.084

104.451

22-Rondônia

5.625

6.083

7.284

23-Roraima

1.117

1.219

1.443

24-Santa Catarina

42.428

46.535

51.828

25-Sergipe

5.921

8.204

9.496

26-São Paulo

370.819

400.629

438.148

27-Tocantins

2.450

3.067

3.545

Total do Brasil

1.101.255

1.198.736

1.346.020

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais, Contas Regionais do Brasil 1998-2001 e 2002 – obtido do site http://www.ibge.gov.br em 11/01/2005.

 

Tabela 2 - Ranking dos Estados e percentual do Brasil

Nome do Estado

PIB (R$ milhões)

% do Brasil

1-São Paulo

438.148

32,55

2-Rio de Janeiro

170.114

12,64

3-Minas Gerais

125.389

9,32

4-Rio Grande do Sul

104.451

7,76

5-Paraná

81.449

6,05

6-Bahia

62.103

4,61

7-Santa Catarina

51.828

3,85

8-Pernambuco

36.510

2,71

9-Distrito Federal

35.672

2,65

10-Goiás

31.299

2,32

11-Pará

25.530

1,90

12-Amazonas

25.030

1,86

13-Espírito Santo

24.723

1,84

14-Ceará

24.204

1,80

15-Mato Grosso

17.888

1,33

16-Mato Grosso do Sul

15.343

1,14

17-Paraíba

11.634

0,86

18-Rio Grande do Norte

11.633

0,86

19-Maranhão

11.420

0,84

20-Sergipe

9.496

0,71

21-Alagoas

8.767

0,65

22-Rondônia

7.284

0,54

23-Piauí

6.166

0,46

24-Tocantins

3.545

0,26

25-Amapá

2.702

0,20

26-Acre

2.249

0,17

27-Roraima

1.443

0,11

Total do Brasil

1.346.020

100,0

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais, Contas Regionais do Brasil 1998-2001 e 2002.

O VAF não abarca todos os itens de produção (ou do PIB) de um território (como um municípios, Estado ou país), especialmente aluguéis, serviços profissionais, lucros financeiros, investimentos públicos e a produção informal, que não circula pelo mercado formal. Esse estudo considera ou parte do pressuposto de que, de forma simplificada, esses itens ocorrem em proporções semelhantes em todos os municípios do país. A rigor, essa premissa não é absolutamente verdadeira, mas pode ser tomada como coerente e adequada, de forma simplificada, para viabilizar os cálculos na forma proposta de rateio dos PIBs estaduais entre os municípios, na proporção das participações dos VAFs municipais nos VAFs Estaduais. De fato, os Estados institucionalizam, intermente, regramentos e comportamentos relativamente uniformes nos seus diversos lugares (municípios), sem diferenças significativas quanto ao grau de sonegação fiscal, podendo-se assumir existir uma boa proporcionalidade entre os VAFS e os PIBs dos respectivos municípios.