Nomes mais comuns na terra do Rio Grande do Sul (RS)

Esta pesquisa foi realizada em 1988, com a permissão da Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul (PROCERGS), em que o autor (Luis Roque Klering) atuava como analista de sistemas, tendo acesso a grandes bancos de dados. Foi realizada em horas vagas, do autor e do equipamento de grande porte utilizado (envolvendo, na época, cerca de 200 horas de processamento de dados).  O estudo utilizou como recurso a técnica da "pesquisa fonética*", e foi apresentado no I Seminário Nacional de Informática nas Ciências Sociais, patrocinado pela IBM, realizado na cidade de Recife-PE, entre os dias 7 e 9 de dezembro de 1988.

Na época, ocorreu grande interesse pela pesquisa, em nível regional e nacional. Mesmo transcorridos 12 anos desde sua realização, os dados permanecem bastante interessantes, atuais e úteis, que permitem conhecer um pouco melhor esta terra gaúcha; a recuperação dos resultados permite reavivar (ou rememorar) respostas para uma questão sempre candente, nas rodas de conversas (e de chimarrão): quais são os nomes mais comuns das pessoas do Rio Grande (do Sul)?

No transcorrer da sua história, uma sociedade vai registrando seu legado de cultura em obras físicas, como monumentos e edificações; em padrões de comportamento (no lar, nos espaços públicos, e nas organizações privadas e públicas); em linguagens, mitos, ritos; assim como em crenças (valores) e pressupostos mais consolidados e profundos, tidos como certos para cada época e lugar.

O costume de atribuir nomes a nascidos em famílias carrega, ou vem carregado, com vestígios desta herança ou cultura de um povo, numa época e lugar. Os nomes carregam influências sociais, culturais, religiosas e outras, dos próprios artífices da história.

Para estimar os nomes mais comuns existentes em 1988 no Estado do Rio Grande do Sul, a pesquisa utilizou uma amostra de 951.645 pessoas (10,72% da população total), fazendo ajustes, entre a amostra e a população, nos parâmetros de sexo e idade.

Como resultado, obteve-se os seguintes dados, em relação aos 40 pré-nomes masculinos mais comuns no RS:

Ordem

Pré-nome

Quantidade Estimada

% das pessoas (M)

1

Luis

324.172

7,31

2

José

256.801

5,79

3

Carlos

216.144

4,87

4

Antônio

190.352

4,29

5

João

162.103

3,65

6

Paulo

153.545

3,46

7

Roberto

96.430

2,17

8

Fernando

81.700

1,84

9

Eduardo

79.982

1,80

10

Ricardo

76.334

1,72

11

César

74.902

1,69

12

Jorge

72.387

1,63

13

André

70.506

1,59

14

Francisco

70.142

1,58

15

Marcelo

69.006

1,56

16

Pedro

64.488

1,45

17

Alexandre

60.871

1,37

18

Rodrigo

59.447

1,34

19

Augusto

57.859

1,31

20

Rafael

57.143

1,29

21

Marcos

52.152

1,18

22

Sérgio

50.800

1,15

23

Felipe

48.777

1,10

24

Henrique

47.970

1,08

25

Tiago

43.449

0,98

26

Cláudio

42.553

0,96

27

Daniel

41.899

0,95

28

Luciano

39.132

0,88

29

Rogério

37.986

0,86

30

Renato

37.558

0,85

31

Leonardo

36.207

0,82

32

Gustavo

36.126

0,82

33

Fábio

35.305

0,80

34

Guilherme

35.047

0,79

35

Márcio

34.339

0,77

36

Júlio

33.068

0,75

37

Adão

30.788

0,69

38

Mário

30.653

0,69

39

Gilberto

28.859

0,65

40

Manoel

28.552

0,64

Obteve-se, igualmente, os seguintes dados, em relação aos 40 pré-nomes femininos mais comuns no RS:

Ordem

  Pré-nome 

Quantidade Estimada

% das pessoas (F)

1

Maria

606.873

13,63

2

Ana

140.010

3,15

3

Terezinha

134.184

3,01

4

Regina

93.443

2,10

5

Cristina

81.920

1,84

6

Lúcia

76.350

1,72

7

Helena

66.814

1,50

8

Fátima

57.690

1,30

9

Vera

56.205

1,26

10

Lourdes

55.146

1,24

11

Beatriz

54.143

1,22

12

Carmem

42.639

0,96

13

Luiza

41.945

0,94

14

Elisabete

38.963

0,88

15

Paula

38.824

0,87

16

Márcia

37.647

0,85

17

Rosa

37.312

0,84

18

Luciana/e/i

35.817

0,80

19

Mara

34.502

0,78

20

Tereza

34.379

0,77

21

Cláudia

33.881

0,76

22

Adriana/e/i

33.848

0,76

23

Sandra

33.513

0,75

24

Isabel

33.105

0,74

25

Rosana/e/i

31.691

0,71

26

Marilin/e

30.972

0,70

27

Marlene

30.613

0,69

28

Eva

30.368

0,68

29

Patrícia

30.048

0,67

30

Fernanda

30.017

0,67

31

Inês

29.886

0,67

32

Carolina/e/i

29.077

0,65

33

Sônia

29.044

0,65

34

Tânia

28.546

0,64

35

Andréa/ia

27.674

0,62

36

Carla

27.378

0,62

37

Marisa

26.847

0,60

38

Simone

25.972

0,58

39

Denise

25.932

0,58

40

Marli

25.548

0,57

Em relação aos sobrenomes, obteve-se o seguinte ranking, dos 33 mais comuns:

Ordem

  Sobrenome 

Quantidade Estimada

% das pessoas

1

Silva

776.704

8,74

2

Santos

449.846

5,06

3

Oliveira

343.279

3,86

4

Souza

233.371

2,63

5

Rodrigues

231.645

2,61

6

Pereira

212.612

2,39

7

Machado

189.614

2,13

8

Silveira

169.302

1,91

9

Rosa

166.475

1,87

10

Costa

147.293

1,66

11

Ferreira

141.937

1,60

12

Alves

130.293

1,47

13

Martins

129.416

1,46

14

Lima

126.916

1,43

15

Soares

121.169

1,36

16

Nunes

118.743

1,33

17

Gonçalves

104.571

1,18

18

Lopes

104.188

1,17

19

Gomes

98.973

1,11

20

Ribeiro

95.259

1,07

21

Correa/ia

91.956

1,03

22

Almeida

88.971

1,00

23

Dias

87.347

0,98

24

Morais

86.144

0,97

25

Vieira

84.194

0,95

26

Melo

81.134

0,91

27

Freitas

80.976

0,91

28

Carvalho

79.557

0,90

29

Marques

75.517

0,85

30

Pinto

74.313

0,84

31

Teixeira

73.520

0,83

32

Rocha

72.056

0,81

33

Fernandes

71.029

0,80

Dentre os sobrenomes de origem alemã, os mais comuns são: Schmidt, Becker, Wagner, Müller, Schneider, Weber, Klein, Scherer, Hoffmann, Rech, Schmitz, Kuhn, Mallmann, Diehl, Ritter, Bohn, Ruschel, Stein, Simon, Braun, Ludwig, Hoff, Jung, Finkler e Sperb.

Dentre os sobrenomes de origem italiana, os mais comuns são: Rossi, Ferrari, Medina, Basso, Piccolli, Zanella, Farina, Molina, Zanetti, Rossatto, Bolzan, Favero, Campello, Grazziottin, Carli.

Dentre os nomes compostos, os 20 mais comuns no RS são:

Ordem

  Nome 

Quantidade Estimada

% das pessoas

1

Luiz Carlos

32.888

0,37

2

Maria de Lurdes

30.008

0,34

3

Paulo Roberto

25.786

0,29

4

Maria Helena

25.245

0,28

5

Ana Maria

24.763

0,28

6

Vera Lúcia

23.734

0,27

7

Luiz Fernando

23.272

0,26

8

Carlos Alberto

20.713

0,23

9

João Carlos

19.896

0,22

10

Antônio Carlos

19.504

0,22

11

José Carlos

18.883

0,21

12

Ana Paula

17.043

0,19

13

Marco Antônio

16.749

0,19

14

José Luiz

15.181

0,17

15

Luiz Antônio

14.898

0,17

16

João Batista

14.037

0,16

17

José Antônio

13.863

0,16

18

Paulo Ricardo

13.449

0,15

19

André Luiz

12.850

0,14

20

Maria Cristina

12.402

0,14

O nome completo mais comum no RS é "João Carlos dos Santos", estimando-se existirem cerca de 242 pessoas com esse nome.

A atribuição de nomes, no decorrer do tempo, ocorre na forma de ondas; por exemplo, os nomes de família (Maria, Antônio, José e outros) eram muito usados em meados da década de 50 (do século passado), a reboque de movimentos religiosos comuns na época. O nome "Luiz" teve seu período áureo no início da década de 60, quando os movimentos relacionados à juventude estavam "na onda".  Nomes de apóstolos (Lucas, Marcos, Mateus e outros) foram muito usados nas décadas de 70 e 80, a reboque do caráter mais evangelizador da Igreja Católica. Na década de 80, começaram a ser utilizados para mulheres nomes que eram de homens, como Bruna, Fernanda, Paula, Luiza e outros, acompanhando a idéia de maior autonomia e capacidade das mulheres.

Alguns nomes tiveram prestígio e queda bastante rápidos, como Everaldo no final da década de 60; Ieda, em meados da década de 60; Jocasta, no final da década de 80. O nome Roberto Carlos foi muito usado na década de 60 (curva ou onda maior), tendo depois outras recorrências (curvas ou ondas menores) de utilização.

Ao todo, o estudo pesquisou na época mais de 1.500 nomes de pessoas; tendo em vista as mudanças ocorridas de 1988 até agora, seria interessante reatualizar os dados, para identificar as principais mudanças ocorridas no período (de 12 anos), com a renovação de parcela da população, e o acréscimo de outros 1,5  milhão de pessoas, passando dos 8,8 milhões de gaúchos existentes na época para os atuais 10,3 milhões.

* Pesquisa fonética: nela, procura-se fonemas (ou sons) caracteristicamente semelhantes, resultando daí que nomes como Luiz ou Luis sejam considerados iguais; o software de pesquisa utilizado na pesquisa foi desenvolvido pela Procergs, a partir da dissertação de mestrado defendida por Joel Leon (UFRGS, 1979). Na contagem, todos os prenomes e sobrenomes cadastrados foram considerados (exemplo: Luiz Ricardo conta um ponto para Luiz e outro para Ricardo).  Nomes que podem constituir tanto pré-nomes quanto sobrenomes (como Rosa) foram estratificados estatisticamente.