Maria Degolada 

O Hospital São Pedro foi o primeiro hospital psiquiátrico da cidade; sua construção foi iniciada em 02/12/1879; a primeira parte foi concluída em 1884; todavia, o 5o. e último pavilhão foi concluído somente em 1903. Em 1884, foi visitado pela Princesa Isabel, quando estava com 1/4 da sua construção concluída. Na época, considerava-se grande avanço colocar em hospital pessoas indevidamente trancafiadas em cadeias. No auge, o hospital chegou a abrigar mais de 5 mil pessoas; todavia, com a nova política em andamento no setor, de abrigagem de pessoas com sofrimento psíquico em lares menores, o hospital está sendo gradativamente desativado. 

No morro em frente ao Hospital, chamado antigamente de Morro do Hospício, ocorreu a rumorosa trajédia da "Maria Degolada", que está sendo retratada em peça teatral na cidade. Lá, em 12/11/1899, Maria Francelina Trenes, de 21 anos e de origem alemã,  foi cruelmente degolada por seu amante, Bruno Soares Bicudo, soldado da Brigada Militar, mais conhecido pelo apelido de "soldado Brum",  por motivo torpe (discussão fútil). Naquele domingo, o "soldado Brum" e outros 3 colegas de serviço, com suas respectivas esposas, aproveitaram a folga para fazer um piquenique no alto do morro, no local da atual rua Carlos de Laet.  Depois de comerem um churrasco, Maria Francelina e o soldado Brum discutiram; por ciúmes, o soldado degolou a amante; foi preso, e veio a falecer após 7 anos de prisão. 

Logo, o local passou a ser venerado por pessoas humildes, principalmente por pessoas com "amores contrariados",  recebendo velas acesas e oferendas à moça que passou a ser chamada popularmente de "Maria Degolada".  Nos meios oficiais, o morro e o local são referidos por nome menos deprimente: "Maria da Conceição".

Atualmente, existe no local uma pequena capela, com muitas velas constantemente acesas. O local é de difícil acesso; a ruela que leva ao local está asfaltada, mas é muito estreita, sinuosa e ladeada por casas muito humildes,  parecendo um "beco sem saída" (por isso, impressionados e temerosos, seguimos em frente sem captar imagem do local).

(Fonte: Rio Grande do Sul: um século de história, de Carlos Urbim, Lucia Porto e Magda Achutti. Porto Alegre: Mercado Aberto,  1999,  v. 2,  p. 625-626; e Porto Alegre: guia histórico, de Sérgio da Costa Franco; Porto Alegre, Editora da UFRGS,  1988,  p. 259).

Esse texto foi composto por Luis Roque Klering, e apresentado na seção da "câmera 2" do site Wcams em 04/11/2001.