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Guerra Guaranítica no Rio Grande do Sul (1752-1756) Originalmente, a população nativa do Rio Grande do Sul era formada por cinco nações de indígenas: charruas, minuanos, patos, tapes e guaycanans; a maior influência nos hábitos e valores dos gaúchos veio das nações de índios charruas e minuanos, que eram os mais bravos e guerreiros. Habitavam uma região formada pelo atual Estado do Rio Grande do Sul e parte do Estado de Santa Catarina, que foi longamente disputada por Espanha e Portugal. Pelo Tratado de Tordesilhas, firmado entre Portugal e Espanha em 1494 (logo após a descoberta da América por Cristóvão Colombo), a Portugal perteceriam todos os territórios descobertos a leste de um meridiano situado 370 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde, ou seja, a leste de uma linha imaginária ligando as atuais cidades de Belém, do Pará; e Laguna, de Santa Catarina. O Tratado permaneceu válido até 1750, quando pelo Tratado de Madri passou a vigorar o princípio de que a terra pertence a quem a ocupa. Conforme previsto, os espanhóis vieram ocupar logo seus territórios, fundando cidades como Buenos Aires e Assunção, em 1536. Fundaram, também, por intermédio dos jesuítas, diversas povoações na bacia do Rio Uruguai; no lado oriental, fundaram reduções como São Miguel (a primeira, em 1627), São João, São Lourenço, São Luiz, São Nicolau, São Borja e Santo Ângelo (a última, em 1707). Todavia, aventureiros paulistas aterrorizavam constantemente qualquer iniciativa de povoação ou colonização de terras, que dificultava enormemente a expansão espanhola na área. De outro lado, as andanças de aventureiros portugueses, a procura de gado ou de índígenas para serem levados embora, encorajou a Coroa Portuguesa a dominar de forma mais definitiva a região. Por isso, resolveu fundar, em 1680, em frente a Buenos Aires, uma fortificação chamada Colônia do Sacramento, para atestar seu domínio sobre os territórios a leste do Rio da Prata. A Colônia foi arrasada no mesmo ano; entretanto, via negociações, foi retomada em 1683. Foi novamente entregue aos espanhóis em 1703 e retomada (em função do Tratado de Utrecht) em 1716. Com a tomada de Montevidéu pelo governador de Buenos Aires, Colônia do Sacramento ficou sitiada, e, por isso, abandonada pelos portugueses em 1736, que recuaram até Rio Grande, onde fundaram em 1737 o Presídio Jesus Maria José (sob comando do brigadeiro José da Silva Paes). O Tratado de Madri tinha a intenção de resolver os conflitos de terras entre Portugal e Espanha; trocava os Sete Povos das Missões (que ficaria para Portugal) por Colônia do Sacramento (que ficaria para a Espanha); pelo Tratado, os índios deveriam retirar-se com seus pertences móveis para o outro lado do Rio Uruguai; todavia, estas determinações causaram grande revolta entre os povos indígenas, que se rebelaram contra os signatários do Tratado (Portugal e Espanha); por isso, entraram em guerra contra os exércitos português e espanhol (chamada de Guerra Guaranítica); após pequenas escaramuças, em que morreu o líder Sepé Tiaraju, foram severamente vencidos na batalha de Caiboaté, em 1756; nesse combate, morreram mais de 1.200 guerreiros indígenas, inclusive o novo chefe Nicolau Languiru. Derrotados nos combates e perseguidos nos próprios entrincheiramentos, abandonaram suas terras e se refugiaram nas matas e nas serras. |
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