|
ANÁLISE DO DESEMPENHO ECONÔMICO DOS MUNICÍPIOS DO RS EM 2004 Matéria publicada na ZH do dia 29/01/2006
Como crescer: Riqueza em dobro |
| CAROLINE TORMA |
|
A maioria tem menos de 10 mil habitantes e é jovem. Fora isso, há
pouco em comum entre os 107 municípios gaúchos que mais do que dobraram
sua riqueza, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB) entre 1994 e 2004.
É a diferença que os coloca no topo do ranking de estudo elaborado
pelo professor Luis Roque Klering, da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (UFRGS). |
| Confira o ranking |
| Os 10 maiores PIBs no Estado em 2004, em US$ bi: |
| Porto Alegre 6,79 Canoas 3,87 Caxias do Sul 3,34 Triunfo 2,25 Gravataí 1,48 Novo Hamburgo 1,26 Santa Cruz do Sul 1,07 Rio Grande 1,05 Sapucaia do Sul 0,89 Passo Fundo 0,86 |
| Os que mais cresceram em 10 anos (1994-2004), em %: |
| Glorinha 2.463 Aratiba 2.083 Garruchos 1.458 São Vendelino 582 |
| Os que mais recuaram em 10 anos (1994-2004), em %: |
| Palmares do Sul -63 Pinhal Grande -61 Salto do Jacuí -56 Herval -51 |
| Fonte: Luis Roque Klering, professor da Escola de Administração da UFRGS |
| A metodologia |
| O ranking dos PIBs dos municípios é elaborado a partir de um indicador, o Valor Adicionado Fiscal (VAF), processado sob responsabilidade da Secretaria Estadual da Fazenda. O VAF não inclui todos os itens de produção, como aluguéis, serviços profissionais, lucros financeiros, investimentos públicos e produção informal. |
| O PIB gaúcho foi de R$ 149,233 bilhões em 2004. O estudo estimou o valor do PIB em US$ 54,9 bilhões, usando uma taxa referencial de conversão de R$ 2,718. O uso dessa taxa tem por meta normalizar o efeito das flutuações do câmbio ao longo dos 10 anos estudados. |
| As receitas |
| Para crescer |
| - Apostar na diversificação, alternando atividades do setor primário com turismo e industrialização |
| - Encontrar a vocação local |
| - Investir em educação e na capacitação de mão-de-obra |
| - Atrair grandes empresas e usufruir do empreendimento para fomentar outros setores |
| - Valorizar o avanço tecnológico |
| - Investir em infra-estrutura |
| - Apostar no empreendedorismo |
| Para empobrecer |
| - Não se renovar |
| - Ficar só na tradição agrícola |
| - Apostar num único setor, sem ensinar os trabalhadores a serem empreendedores |
| - Não valorizar a educação |
| - Não dar importância aos pequenos negócios nem identificar as vocações |
| - Não conseguir reunir interesses do setor privado e público |
| - Não oferecer infra-estrutura, segurança e qualidade de vida |
| Fonte: Luis Roque Klering, professor da Escola de Administração da UFRGS |
| Um cenário de pastagens vira celeiro de indústrias |
| TATIANA CRUZ |
|
Houve uma época em que Israel Tobias Ferreira Sandim, 25 anos, achava
Gravataí pequena demais. Glorinha, então, nem se fala. Para o
encarregado de fazer xis numa lanchonete, esta cidade distante 45 quilômetros
de Porto Alegre era ainda uma área rural, bucolicamente adormecida no
ritmo das pastagens. |
| Uma dependência que preocupa |
|
No município que apresentou a maior queda no PIB em 10 anos, Diego
Teixeira Braga, 24 anos, se sente um felizardo. |
| Em dificuldades |
|
Dos 426 municípios analisados, 60 empobreceram entre 1994 a 2004. Entre
as maiores cidades, destaque negativo para Pelotas, cujo PIB ficou
praticamente estagnado: já teve o sexto maior PIB em 1984. Em 2004,
ficou em 14º lugar. |
| Metade Sul |
|
Depois de perder participação no PIB, a Metade Sul está obtendo uma
lenta e gradual recuperação nos últimos anos. |
| Produção diversificada |
|
Criação de aves e suínos, plantação de acácia e eucaliptos e indústrias
calçadista e metalúrgica. A atração de empresas nesses segmentos em
10 anos colocou São Vendelino, na Serra, entre as que mais cresceram no
Estado.
|
| Esperança no reflorestamento |
|
Herval sente na pele a crise que se arrasta na Metade Sul. O ano de
1996, quando ocorreu a emancipação de Pedras Altas, foi emblemático. |
| Disputa judicial |
|
Em Pinhal Grande, na região central, a energia gerada pela hidrelétrica
de Itaúba alimentou os cofres da prefeitura até 1999. Depois, a
regra mudou, e o dinheiro passou a ser repartido entre cidades da região. |
| Efeito pedra ágata |
|
Além da frustração na agricultura devido a estiagens, a retração
verificada em Salto do Jacuí se deve à crise no setor de pedras ágatas.
Desvalorização do dólar, aumento de custos na extração e baixo
preço pago pela pedra semipreciosa no mercado internacional causaram
a crise no município. |