Análise do Desempenho Econômico dos Municípios do Rio Grande do Sul em 2006
Resumo
O estudo estima os valores dos Produtos
Internos Brutos (PIBs) dos 496 municípios do Rio Grande do Sul existentes em
2006 e, com base nos valores históricos estimados com a mesma metodologia a
partir do ano de 1982, analisa o desempenho econômico dos municípios em
diferentes anos, segundo diferentes segmentações ou perspectivas: por porte populacional,
anos de emancipação, setores e segmentos principais de atuação, regiões do
Estado, metades regionais do Estado.
O valor do PIB dos municípios do RS é
estimado a partir do rateio do Produto Interno Estadual para os respectivos
municípios, de acordo com suas participações no Valor Adicionado Fiscal
(VAF).
O valor do PIB do Estado do Rio Grande do Sul (RS) relativo ao ano de 2006 foi estimado pela FEE-RS, levando em consideração a produção nos setores da agricultura, indústria e serviços. Os valores dos VAFs dos municípios foram obtidos a partir da sua publicação pela Secretaria da Fazenda no Diário Oficial do dia 15/10/2007.
A
obtenção de estimativas de PIBs para os municípios do RS, segundo metodologia
simplificada e procedimentos bastante simples, rápidos e uniformes, é muito útil
porque contribui sobremaneira no traçado de estratégias empresariais e de políticas
públicas, assim como para a definição de ações visando a corrigir desequilíbrios,
e apoiar a implantação de projetos e a realização de investimentos, tanto
pelos governos dos diversos níveis, quanto também por empresas e instituições
do terceiro setor. Esse estudo vem sendo realizado de forma regular e anual desde 1984,
constituindo importante apoio para as ações de governos, de empresas e de
instituições em geral, no esforço de melhorar o desenvolvimento e a qualidade
de vida da sociedade gaúcha.
Explicações gerais do estudo
O PIB do Estado do Rio Grande do Sul (RS), em reais, em 2006, calculado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), conforme estudo realizado anualmente e publicado em 2007 sob o nome de "O desempenho da economia gaúcha em 2006" (FEE, http://www.fee.tche.br), foi de R$ 155.971.000.000,00 , que representam um aumento nominal de 7,43%, e real de de 2,7%, relativamente ao ano anterior. Usando-se uma moeda de referência, nesta série histórica de estudos denominada de "dólar americano referencial", equivalente em 2006 a 2,1036 reais brasileiros, e tomando por base as estimativas da FEE e do IBGE, este estudo estimou o valor do PIB do RS, referente ao ano de 2006, na moeda dólares americanos referenciais, em 74,14 bilhões.
Desde o plano real, o valor de conversão da moeda dólares americanos para reais brasileiros sofreu variações bastante expressivas. No início, com a paridade cambial, ocorreu uma sobrevalorização da moeda brasileira. A partir de janeiro de 1999, quando o câmbio fixo foi rompido, a moeda americana valorizou-se sobremaneira, além de flutuar intensamente, incorporando elevadas margens de risco, bem como interesses políticos e econômicos, visando ao ingresso de capitais e controle da inflação.
Em termos históricos, desde o Plano Real, as taxas de conversão da moeda dólares americanos para reais brasileiros, usadas pela série histórico de estudos anuais deste autor (Luis Roque Klering) sobre os desempenhos dos municípios do Rio Grande do Sul foram:
|
Ano |
PIB em milhões de R$ |
PIB em milhões de US$ |
Taxa de conversão R$/US$ |
|
1994 |
31.129 |
40.253,0 |
0,77 |
|
1995 |
53.653 |
45.525,3 |
1,17 |
|
1996 |
63.263 |
48.672,7 |
1,30 |
|
1997 |
69.221 |
53.000,0 |
1,30 |
|
1998 |
70.542 |
53.000,0 |
1,33 |
|
1999 |
75.450 |
53.000,0 |
1,42 |
|
2000 |
85.138 |
53.000,0 |
1,61 |
|
2001 |
94.084 |
53.000,0 |
1,77 |
|
2002 |
104.451 |
53.000,0 |
1,97 |
|
2003 |
128.040 |
53.000,0 |
2,41 |
|
2004 |
142.874 |
54.989,0 |
2,60 |
|
2005 |
145.182 |
64.985,0 |
2,23 |
| 2006 | 155.971 | 74.147,5 | 2,10 |
Em 1997, o PIB do Estado do RS na moeda dólar americano referencial chegara em US$ 53 bilhões. Com a escalada da paridade reais brasileiros / dólares americanos nos anos subseqüentes, preferiu-se manter o valor do PIB para o Estado do RS, em dólares americanos referenciais, no patamar de 53 bilhões, evitando assim diminuir o seu valor nominal. Desta forma, não foram acompanhadas e usadas as indevidas flutuações da taxa de conversão, que tinha incorporado um expressivo fator de risco. A taxa de conversão da moeda reais brasileiros para dólares americanos referenciais, usada por este estudo relativamente ao ano de 2006, é de 2,1036. Tal taxa é novamente menor do que a usada para o ano anterior (de 2005), acompanhando assim a tendência do novo contexto econômico, político e institucional brasileiro. Outrossim, a estratégia de fixação do PIB do RS com base numa moeda denominada dólar americano referencial, excluindo os valores devidos a riscos e outras flutuações (ou seja, suavizando as oscilações indevidas a fatores diversos), tem a vantagem de fazer com que o acompanhamento da evolução do PIB dos municípios gaúchos seja feito de forma mais regular e compreensível, excluindo o fator de risco e a flutuação excessiva da moeda dólar americano frente ao real brasileiro. Assim, ao invés de usar-se o valor efetivo do dólar americano no mercado oficial ou de câmbio, preferiu-se usar um valor referencial, refletindo de forma mais correta o valor efetivo da moeda dólar americano, o que também permite analisar de forma mais coerente a evolução do PIB dos municípios do RS ao longo dos últimos anos, principalmente a partir do ano de 1997, quando o câmbio passou a flutuar mais intensamente.
O desempenho levemente positivo da economia global gaúcha em 2006 deve-se a uma recuperação parcial da agropecuária, que teve uma elevação de 19,9% e um peso de 13,44% no PIB global. A indústria, que pesa cerca de 42,79% do PIB global, diminuiu 1,3%. E o setor de serviços, que representa cerca de 43,77% do PIB global, teve uma elevação de 2%. Desta forma, o PIB do Estado e dos municípios do RS em 2006 aumentou, em média, 7,43% na moeda real brasileiro, e 14,1% na moeda dólar americano referencial. Do montante de 14,1% de aumento na moeda dólar americano referencial, 7,43% devem-se ao aumento nominal do PIB gaúcho na moeda real brasileiro, e 6,21% à valorização da moeda real brasileiro frente ao dólar americano referencial (ou seja, tendo em vista a diminuição da taxa de conversão de 2,23 para 2,10).
Em 2006, o desempenho bastante positivo do setor agropecuário (+19,9%) foi fortemente favorecido pelas boas condições climáticas ocorridas no ano. O segmento lavouras registrou um aumento de 27,2%. Os destaques principais foram: soja: + 209,2%; milho: + 205,1%; mandioca: + 14,8%; arroz: +11,2%; fumo: + 9,8%. Por outro lado, ocorreu queda na produção de trigo: -48,2%. A produção pecuária aumentou 1,0% em relação ao ano anterior de 2005. A produção de aves aumentou 1,1%, assim como a de suínos (1,6%), em contrapartida a um encolhimento da bovinocultura (-0,3%).
No setor industrial, a indústria de transformação (que participa com 88% do peso) teve o pior desempenho, equivalente a -2,3%. O desempenho negativo deve-se expressivamente ao forte vínculo da indústria gaúcha com o setor agrícola, sendo fortemente suscetível às variações de preços internacionais, ao volume de produção, e às variações cambiais. De forma específica, os destaques negativos foram os itens: máquinas e equipamentos (-17,8%), produtos de metal (-11,4%), calçados e artigos de couro (-8,3%) e fumo (-7,8%). Os destaques positivos, por sua vez, foram: bebidas (+7,9%), alimentos (+6,3%), borrachas e plásticos (+5,0%), celulose, papel e produtos de papel (+4,3%), veículos automotores (+4,3%) e mobiliário (+4,1%). Os serviços de utilidade pública, englobando prestações de serviços de eletricidade, gás e água, tiveram um desempenho levemente positivo: +1,4%. O maior destaque positivo da indústria foi a construção civil, que aumentou 6,6%, em função da melhoria de condições do mercado, principalmente da diminuição dos juros, aumento da segurança jurídica dos negócios imobiliários, do alongamento dos prazos de financiamento de habitações, e aportes financeiros de bancos comerciais e de fundos de pensão.
No setor de serviços, a maioria das atividades apresentou aumento: transportes e armazenagem, +4,7%; comércio, +3,4%; administração pública, +1,1%.
O desempenho geral do Estado em seus diferentes setores, segmentos e atividades delinea também o desempenho dos seus municípios constituintes, conforme analisaremos a seguir.
Estas conclusões sobre o desempenho do PIB estadual foram extraídas do artigo de referência da FEE, que toma como foco o Estado inteiro, e que se encontra nesse endereço eletrônico: http://www.fee.rs.gov.br.