Análise do Desempenho Econômico dos Municípios do Rio Grande do Sul em 2004
Resumo
O estudo estima os valores dos Produtos
Internos Brutos (PIBs) dos 496 municípios do Rio Grande do Sul existentes em
2004 e, com base nos valores históricos estimados com a mesma metodologia a
partir do ano de 1982, analisa o desempenho econômico dos municípios em
diferentes anos, desde os mais recentes, até o início da série histórica em
1982, segundo diferentes segmentações ou perspectivas: por porte populacional,
anos de emancipação, setores e segmentos principais de atuação, regiões do
Estado, metades regionais do Estado.
O valor do PIB dos municípios do RS é
estimado a partir do rateio do Produtos Interno Estadual para os respectivos
municípios, de acordo com suas participações no Valor Adicionado Fiscal
(VAF).
O
valor do PIB do Estado do Rio Grande do Sul (RS) relativo ao ano de 2004 foi
estimado pela FEE-RS, levando em consideração a produção nos setores da
agricultura, indústria e serviços. Os valores dos VAFs dos municípios foram
obtidos a partir da sua publicação pela Secretaria da Fazenda no Diário
Oficial do dia 14/12/2005.
A
obtenção de estimativas de PIBs para os municípios do RS, segundo metodologia
simplificada e procedimentos bastante simples, rápidos e uniformes, é muito útil
porque contribui sobremaneira no traçado de estratégias empresariais e de políticas
públicas, assim como para a definição de ações visando corrigir desequilíbrios,
apoiar a implantação de projetos e a realização de investimentos, tanto
pelos governos dos diversos níveis, quanto também por empresas e instituições
do terceiro setor. Esse estudo vem sendo realizado de forma anual desde 1984,
constituindo importante apoio para as ações de governos, de empresas e de
instituições em geral, no esforço de melhorar o desenvolvimento e a qualidade
de vida da sociedade gaúcha.
Explicações gerais do estudo
O PIB do Estado do Rio Grande do Sul (RS), em reais, em 2004, calculado pela Fundação de Economia e Estatística e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat´sitica (IBGE), foi de R$ 149.233.000.000,00. Em moeda dólar referencial, este estudo estimou o valor do PIB em US$ 54,9 bilhões. Portanto, foi tomado uma taxa de conversão da moeda dólar americano para a moeda real de 2,717668.
Desde o plano real, o valor da moeda dólar em reais sofreu variações bastante expressivas. No início, com a paridade cambial, ocorreu uma sobrevalorização da moeda real. A partir de janeiro de 1999, quando o câmbio fixo foi rompido, o dólar valorizou-se sobremaneira, além de flutuar intensamente, incorporando elevadas margens de risco, bem como interesses políticos e econômicos, visando ao ingresso de capitais e controle da inflação.
Em termos históricos, desde o plano real, as taxas de conversão dólar/real usadas pelos estudos anuais sobre os desempenhos dos municípios do Rio Grande do Sul foram:
|
Ano |
PIB em milhões de R$ |
PIB em milhões de US$ |
Taxa de conversão |
|
1994 |
31.129 |
40.253,0 |
0,77 |
|
1995 |
53.653 |
45.525,3 |
1,17 |
|
1996 |
63.263 |
48.672,7 |
1,30 |
|
1997 |
69.221 |
53.000,0 |
1,30 |
|
1998 |
70.542 |
53.000,0 |
1,33 |
|
1999 |
75.450 |
53.000,0 |
1,42 |
|
2000 |
85.138 |
53.000,0 |
1,61 |
|
2001 |
94.084 |
53.000,0 |
1,77 |
|
2002 |
104.451 |
53.000,0 |
1,97 |
|
2003 |
134.750 |
53.000,0 |
2,54 |
|
2004 |
149.233 |
54.908,0 |
2,71 |
Em 1997, o PIB do Estado na moeda dólar americano chegara em US$ 53 bilhões. Com a escalada da paridade dolar/real nos anos subsequentes, preferiu-se manter o valor do PIB para o estado em dólares no patamar de 53 bilhões, ao invés de diminuir o seu valor, refletindo as indevidas flutuações da taxa de conversão, que tinha incorporado um expressivo fator de risco. De fato, o valor do PIB para o Estado em 2003, a uma taxa de conversão de 2,71, está bem próximo do patamar em que o dólar americano está se consolidando. Tal estratégia de fixação do PIB na moeda dólar americano, excluindo os valores devidos a riscos e outras flutuações, tem a vantagem de fazer com que o acompanhamento da evolução do PIB dos municípios do RS seja feito de forma mais fácil, excluindo o fator de risco e flutuação excessiva da moeda dólar frente ao real. Assim, ao invés de tomar o valor real do dólar no câmbio, preferiu-se usar um valor referencial, refletindo de forma mais correta o valor efetivo da moeda dólar americano, o que também permite analisar de forma mais coerente a evolução do PIB dos municípios do RS ao longo dos últimos anos, principalmente a partir do ano de 1997, quando o câmbio passou a flutuar mais intensamente.
Em 2004, o PIB do Estado cresceu, na moeda real, nominalmente 10,74%, e 3,6% em termos reais. Na moeda dólar referencial, o valor do PIB do RS foi aumentado em nível semelhante ao crescimento real da economia gaúcha, de 3,6%, elevando assim o PIB de US$ 53,0 bilhões (em 2003) para US$ 54,9 bilhões em 2004.
Em 2004, o setor agropecuário (que equivale em torno de 18% do PIB total) diminuiu 1,3%, em função da diminuição do valor da produção da lavoura (-2,1%), que representa cerca de 66% do valor do setor agropecuário. O valor da produção do arroz aumentou 34,9%; do fumo, 50,0; e da uva, 42,4%; todavia, diminuíram os valores de produção das demais culturas, principalmente da soja (-42,1%). O valor de produção do soja, do arroz, do trigo, fumo, mandioca e milho representam, no conjunto, cerca de 90% do valor de produção da lavoura gaúcha. O valor total da produção animal, que representa cerca de 3¨% do setor agropecuário, teve em 2004 uma expansão de 2,4%, principalmente em função do aumento da avicultura (+3,9%), da bovinocultura (+ 2,3%) e do leite (+ 8,8%). O valor da produção de bovinos, suínos, aves e leite representa cerca de 90% do valor da produção animal. Os diferentes desempenhos alcançados pelas diferentes culturas do setor agropecuário refletem-se, obviamente, nos municípios em que estão fortemente presentes.
A indústria, que tem uma participação de cerca de 40,6% no PIB geral, apresentou um crescimento de 6,6% em 2004, influenciado, principalmente, pelo bom desempenho da indústria de transformação (+7,7%, tendo um peso de 85% do total da indústria), puxada essencialmente pelo bom desempenho das exportações. A indústria de transformação tem um papel importante na economia dos municípios e do Estado, pelo dinamismo que confere aos demais setores em geral. Destacam-se os desempenhos: da indústria do fumo (+28,9%); veículos automotores (+22,8%); máquinas e implementos (+19,9%); metalurgia básica (+17,6%); mobiliário (+13,7%); borracha e plásticos (+13,3%); produtos de metal (+10,8%);.bebidas (+7,6%). Tiveram baixo ou mesmo crescimento negativo os itens: celulose (0,1%); alimentos (-0,9%); calçados e artigos de couro (-1,7%); refino de petróleo (-3,6%)./
O setor de serviços, com uma participação de 41,4% no PIB total, cresceu a uma taxa de 2,7%, principalmente em função da expansão do comércio (+4,1%); dos transportes (+5,7%); assim como da administração pública (+1,1%) e doconjunto dos demais serviços, englobando aluguéis, intermediação financeira, alojamento e alimentação, comunicações, saúde e educação mercantis, serviços domésticos e outros serviços (+2,5%).
Estas conclusões foram extraídas do artigo de referência da FEE, que toma como foco o Estado inteiro, e que se encontra nesse endereço eletrônico: http://www.fee.tche.br/sitefee/download/indicadores/rie3204.pdf